Adoração,Santidade e serviço

Lição 7

Fogo Estranho Diante de Deus

O Fogo Estranho é fabricado pelo homem: É um fogo que não procede de Deus, nem é ordenado por ele é mundano e procede de Satanas

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O Fogo Estranho no Altar Sagrado

O sacerdócio de Israel foi outorgado à família de Arão, da tribo de Levi, e o ofício era hereditário, de forma que somente por nascimento alguém podia ganhar entrada. Os primeiros sacerdotes foram: Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.

No capítulo oito de Levítico nós encontramos Arão e seus filhos sendo consagrados ao santo sacerdócio; Moisés estava executando as instruções dadas pelo Senhor registradas em Êxodo 28 e 29. No capítulo nove de Levítico vemos Arão e seus dois filhos Nadabe e Abiú oferecendo sacrifício por eles mesmos e pelo povo. Após esses sacrifícios o Senhor manifesta a Sua Glória e Sua aprovação derramando fogo do céu consumindo o holocausto (Lv 9.24). A obediência à ordem divina resultou na descida do fogo do Senhor aprovando aquele ato e confirmando Arão e seus dois filhos como sacerdotes do Deus Altíssimo.

O fogo é considerado um símbolo sagrado por quase todos os povos e quase todas as religiões. Tem sido instrumento de proteção de Deus (Nm 9.16), símbolo do Espírito Santo (Is 4.4; At 2.3); de manifestação da glória e poder divinos. Veja por exemplo: a sarça ardente (Êx 3.2); a vindicação da Lei (Êx 3.4); a vitória de Elias (1Rs 18.38). Além disso, o fogo é sinal apocalíptico de juízo: Jesus vai voltar em chamas de fogo (1Ts 1.7,8); o fogo foi instrumento de juízo e de destruição em Sodoma e Gomorra (Gn 19.24); e aparece associado a pragas (Êx 9.23,24; Nm 11.1,3,4; Nm 16.35); além disto, há profecias que advertem acerca da destruição pelo fogo que aguarda o mundo (Ap 8.7; 11.5; 18.8; 20.9; 2Pe 3.10-13).

O capítulo dez de Levítico nos mostra que o mesmo fogo que confirma a bênção também é o fogo do juízo. Vemos aqui a luta do fogo. É fogo contra fogo. É o fogo puro consumindo o fogo impuro, ou seja, Deus responde com fogo santo e o fogo de Deus consome aqueles que trazem o fogo estranho do homem, para diante dEle.

Warren W. Wiersbe diz que “um dia que deveria ter encerrado com a gloriosa adoração a Deus terminou, em vez disso, com o funeral de dois dos filhos de Arão”.

R. N. Champlin diz que “toda a alegria e o senso de triunfo que assinalaram o início dos serviços sacerdotais foram maculados pelo ato imprudente de Nadabe e Abiú. O mesmo poder que havia abençoado (Lv 9.23,24), agora tirava a vida. Por meio do fogo, pecaram; por meio do fogo morreram”.

Estes dois irmãos eram sacerdotes do Deus Altíssimo, eles não eram levitas de segunda classe. Nadabe era o herdeiro natural ao cargo de sumo sacerdote, e Abiú era o próximo da lista. Eles eram os filhos mais velhos de Arão. Seus nomes encabeçam a lista dos nobres de Israel (Êx 24.9). Estes dois irmãos, juntamente com os outros setenta anciãos, receberam, no Sinai, o privilégio de subir parcialmente o monte e ver à distância como Deus estava ali, falando com Moisés (Êx 24.9,10). Nadabe e Abiú estiveram mais perto de Deus do que provavelmente qualquer outra pessoa. A nenhum outro israelita, exceto ao próprio Moisés, fora dado um privilégio tão grande, diz John MacArthur.

Aqueles dois homens estavam encharcados com óleo da unção (Êx 30.22-33; Sl 133.2), quando o fogo de Deus caiu sobre eles entende-se que eles viraram uma tocha viva. Um ato impensado gerou uma triste realidade. Arão e seus outros filhos se quer puderam lamentar a morte de seus entes queridos. Porque Arão e seus dois filhos mais jovens achavam-se em estado de pureza ritual e, se tivessem se chegado aos mortos, perderiam essa pureza e ficariam cerimonialmente imundos e seriam mortos pelo Senhor também.

Se eles tivessem tal atitude estavam dando a entender que não concordavam com o severo juízo que – seus filhos e irmãos – haviam recebido do Senhor; se fizessem tal coisa morreriam também (Lv 10.6,7). Só os parentes e o povo tinha a liberdade de efetuar os ritos normais de lamentação pelos mortos. Os laços terrenos não podiam interferir nos deveres para com Deus. Assim, seria um pecado um sacerdote lamentar-se, enquanto ministrava diante do Senhor (Lv 21.10-12).

Os sacerdotes não podiam contaminar-se pelos mortos, exceto pelos parentes mais próximos (Lv 21.1-6), isso quando eles não estivessem em serviço.

Talvez você pense: “Porque Deus agiu assim? Não poderia somente admoestá-los?” Mas, com frequência, no começo de uma nova era de salvação, o Senhor trouxe juízo, a fim de advertir o povo. Exemplos: quando o povo hebreu entrou na terra prometida – Deus usou a desobediência de Acã (Js 7) para corrigir o povo; a morte de Uzá quando Davi trouxe a arca para Jerusalém (2Sm 6), para mostrar que Davi estava fazendo de forma errada. No início da igreja, a morte de Ananias e Safira (At 5), para desmascarar a hipocrisia.

O que podemos aprender com este triste episódio e quais as lições que podemos tirar para nossas vidas?

EM PRIMEIRO LUGAR: VAMOS ANALISAR OS PECADOS QUE NADABE E ABIÚ COMETERAM (Lv 10.1).

Tudo o que esses dois homens fizeram foi errado:

1º – Cada um deles tomou seu próprio incensário – o incensário era sagrado e do santuário não pertencia a eles.

2º – Ofereceram incenso ao mesmo tempo, quando um só poderia fazê-lo.

3º – Eram as pessoas erradas para manusear o incenso e apresentá-lo ao Senhor. Essa era a tarefa do pai deles, o sumo sacerdote (Êx 30.7-10).

4º – Agiram na hora errada, pois era somente do Dia da Expiação que o sumo sacerdote tinha permissão de levar incenso para dentro do Santo dos Santos e, mesmo assim, precisava submeter-se a um ritual especial de purificação (Lv.16).

5º – Não agiram sob autoridade nenhuma – nem de Moisés e nem de Arão e muito menos do Senhor.

6º – Não procuram seguir a Palavra de Deus que Moisés havia recebido e dado a eles.

7º – Ao queimarem o incenso usaram fogo de outro lugar e não do altar, por isso, foi chamado de “Fogo Estranho”. O sumo sacerdote havia sido ordenado a queimar o incenso com brasas tiradas do altar de bronze (Lv 16.12). O fogo sobre o altar tinha descido da parte de Deus e era mantido aceso perpetuamente (Lv 6.12,13).

8º – Agiram com a motivação errada e não buscaram glorificar ao Senhor (Lv 10.3).

9º – Estavam sob a influência errada, estavam embriagados. Os versículos 9 e 10 deixam implícito que estavam sob a influência do álcool.

10º – E pior, eles fizeram o que Deus não ordenara (Lv 10.1).

John MacArthur diz que “o cerne do pecado foi aproximar-se de Deus de forma descuidada, arrogante, inadequada, sem a reverência que Ele merecia. Eles não o trataram como santo nem exaltaram o seu nome diante do povo”.

Como nos diz Rm 6.23: “O salário do pecado é a morte”. E foi exatamente isso que Nadabe e Abiú encontraram para si.

EM SEGUNDO LUGAR: COMO IDENTIFICAR O FOGO ESTRANHO HOJE.

Entenda que o Fogo é o símbolo do Espírito Santo e “a terceira pessoa da Trindade é perigosa para quem quiser oferecer-lhe fogo estranho!”, disse John MacArthur.

1º – O Fogo Estranho é fabricado pelo homem: O Fogo Estranho hoje é o mesmo que Nadabe e Abiú ofereceram, é um fogo fabricado pelo homem; é um fogo que não procede de Deus e nem é ordenado por Ele. É estranho porque é mundano, danoso, procede de Satanás, embora traga euforia ao coração do homem não gera vida nesse coração.

R. N. Champlin diz que “metaforicamente, fogo estranho passou a indicar aquele fervor, zelo, sistema religioso e práticas místicas e religiosas que são estranhas ao cristianismo bíblico”.

Isso tem sido tão comum em algumas igrejas ditas “evangélicas” que A. W. Tozer disse que “se Deus tirasse o Espírito Santo do mundo, boa parte daquilo que a igreja está fazendo prosseguiria como se nada tivesse acontecido e ninguém notaria a diferença”.

2º O Fogo Estranho gera confusão: o fogo estranho gera muita confusão e falta de discernimento, pois quem está influenciado por ele não adora a Deus

Em uma reunião de oração realizada por uma igreja pentecostal, uma mulher “cheia do Espírito Santo” caiu em êxtase e derrubou um menino que estava falando em línguas. Depois de colidir com os bancos, o menino levantou-se, cuidando dos lábios que estava sangrando, e levantou-se questionando: “Oh, por quê?”.

Este incidente suscitou dúvidas nos espectadores e também nos visitantes: como foi que o Espírito Santo que estava em alguém derrubou o Espírito Santo que estava em outra pessoa de modo que a feriu?

Eu quero deixar claro aqui que eu creio no agir de Deus, na ação do Espírito Santo no meio da igreja, mas que há por aí muita coisa estranha isso há.

3º – O Fogo Estranho não gera vida, mas morte: Quando Nadabe e Abiú ofereceram fogo estranho o Senhor os matou, pois tal fogo não procedia de Deus e nem o Senhor lhes havia ordenado que lhe trouxessem (Lv 10.1). O fogo estranho hoje tem gerado muitas mortes espirituais, aliás, não tem gerado vida em ninguém. Há muito alvoroço, muito barulho, muita algazarra, mas não passa de uma espiritualidade morta.

4º – O Fogo Estranho centraliza o líder e não Cristo (Lv 10.1): Observe que Nadabe e Abiú centralizaram neles a adoração, mesmo aparentemente estando diante do Senhor. O que temos visto hoje também são líderes que são o centro das atenções. Observe as fachadas de muitas igrejas por aí e você verá que o foco é no líder e não em Cristo. Alguns fazem questão de por as suas fotos na entrada da igreja e tudo mais.

Esses líderes se mostram muito espirituais, passam a ideia de que tem revelações constantes da parte de Deus. Já vi um que falava com Deus como se estivesse falando em um celular – coisa ridícula. Esses líderes fazem de suas “experiências” espirituais o carro chefe dos seus ministérios. Contam histórias fantásticas sobre a vida após a morte, e até fazem carreira no circuito de palestras falando sobre o que supostamente viram no céu. Eles agem completamente ao contrário dos apóstolos e, principalmente, do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo disse que gabar-se de sua experiência “não era conveniente” (2Co 12.1) ou espiritualmente benéfico. Por quê? Porque mesmo sendo uma experiência verdadeira, não pode ser verificada ou repetida. Se Paulo iria se vangloriar por algo, seria da verdade do Evangelho e da maravilha de sua própria salvação (Gl 6.14).  

5º – O Fogo Estranho não gera temor a Deus (Lv 10.1): Esse dois indivíduos comparecem diante de Deus com fogo estranho, sem nem um temor. Por isso que muitas igrejas hoje não se opõem ao mundo, para eles a santificação é algo que não tem importância. Os falsos mestres são caracterizados pela associação com o mundo – uma referência ao sistema espiritual do mal, dominado por Satanás, que se opõe a Deus e persegue luxúrias temporais (Ef 2.1-3; 1Jo 2.15-17, 4.4,5, 5.19).

Exemplo: Em maio se 1926, Aimee Semple McPherson – uma famosa profetisa e fundadora da Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular – desapareceu enquanto nadava em uma praia de Los Angeles. Seu desaparecimento repentino foi notícia de primeira página em todos os jornais dos Estados Unidos na época. Seus seguidores lamentaram a perda, pensando que ela havia se afogado. No entanto, ela reapareceu algumas semanas depois, alegando ter sido sequestrada e aprisionada no México, mas conseguiu se soltar e atravessou o deserto a pé, corajosamente fugindo dos sequestradores. No entanto, os investigadores encontraram furos na história quase de imediato, especialmente quando as evidências mostravam que ela, na verdade, estava em uma cidade próxima a Los Angeles, na costa da Califórnia se divertindo em um ninho de amores com um engenheiro da sua própria estação de rádio.  

John MacArthur diz que “quando um movimento é caracterizado por prioridades mundanas e atividades carnais, isso levanta consideráveis bandeiras vermelhas acerca das forças espirituais por trás dele”.

6º – O Fogo Estranho dá muita ênfase ao Espírito Santo, mas não glorifica a Cristo e passa longe da Cruz. E isso aqui é muito sério. O Fogo Estranho tem a aparência de espiritual, mas não é. O Espírito não glorifica a si mesmo, Ele glorifica o Filho. O Espírito Santo não só dirige nossa atenção para o Senhor Jesus; Ele também nos ajusta à imagem de Cristo (2Co 3.18).

O pastor Chuck Swindoll é ainda mais explícito a este respeito. Diz ele: “Anote isto: o Espírito glorifica Cristo. Vou um pouco mais longe: se o próprio Espírito Santo está enfatizando e glorificando a si mesmo, não é Ele! Cristo é o único que é glorificado quando o Espírito está operando. Ele faz o seu trabalho nos bastidores, nunca no centro das atenções”. Confira isso em João 16.7-14

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